28 de fev de 2014


Bullying por técnicos de esportes? Acontece mais do que vocês imaginam!

Nas últimas duas décadas os estudos e  informações sobre bullying ganharam espaço e impacto, tanto na mídia geral, como na especializada. Podemos definir bullying como um abuso sistemático de poder, no qual um indivíduo mais forte intimida (física e/ou verbalmente) um outro mais fraco ou com menos poder.

Já sabemos que o bullying pode ter efeitos dramáticos e duradouros nas suas vítimas, atrapalhando o desenvolvimento social, emocional, e causando danos substanciais à saúde mental.

Na relação atleta-técnico,  já existe naturalmente um desbalanço de poder entre os envolvidos.  E quando o bullying ocorre no ambiente esportivo, os efeitos são ainda piores, pois se somam ao stress das competições, e da busca por resultados.

Obviamente existem excelentes técnicos, que estimulam e encorajam positivamente seus times. Há, entretanto, aqueles que xingam e humilham seus jogadores. 
Em um estudo publicado em 2 de fevereiro de 2014 (bem fresquinho!) os autores entrevistaram 6000 adultos jovens ( com idades entre 18 e 22 anos) para saber como havia sido sua experiência esportiva na infância e adolescência. O resultado foi impressionante. Três quartos dos entrevistados, ou seja, 75%, reportou pelo menos um episódio de " dano emocional" durante sua experiência esportiva. E desses, um terço contou que a fonte do stress foi o técnico. Um outro estudo revelou que 45% das crianças relataram má conduta verbal de treinadores, incluindo xingamentos e insultos durante o jogo.
 
No primeiro estudo a qual me refiro, os pesquisadores observaram quatro estratégias que os técnicos usam em defesa própria,   para tentar racionalizar e minimizar as percepções negativas do seu comportamento.  Conto abaixo, para que facilite a identificação e abordagem do comportamento de bullying, caso seja necessário.

1) Justificativa moral:
O  agressor tenta retratar o comportamento como socialmente aceitável, generalizando-o. Por exemplo:   "todos os técnicos  perdem o controle de vez em quando"  ou " isso é normal, sempre fizemos assim, e por isso nós ganhamos o campeonato".
Ao argumentar que o comportamento é normal, eles comentem o engano de achar que "comum" e "correto" são a mesma coisa. Quando a cultura de bullying esta enraizada numa escola ou clube, esse comportamento pode até parecer normal, e a  intimidação dos atletas tende a ser ignorada.

2) Culpa rebatida:
Nesse caso, o técnico minimiza o estrago rebatendo a culpa para o jogador: " me desculpe, me excedi um POUCO, mas nós realmente precisamos treinar os fundamentos se queremos ganhar"! Isso da a entender que se o time estivesse bem, ele não precisaria ter se excedido. Muitas vezes, o pedido de desculpas faz parte do ciclo do bullying: agressão- desculpa-justificativa.

3) Comparação:
Na terceira forma de se defender, o agressor compara seu ato com algo ainda pior, minimizando o problema:  " mas eu nunca encostei a mao neles". E se esquece que às vezes, palavras deixam mais seqüelas do agressões físicas.

4) De mal a pior:
O técnico  tenta fazer o atleta recuar mostrando que quem detém o poder é ele, e que não adianta se defender. 
" Se você não gosta do meu jeito, você pode sair do time", e pode mesmo deixar o atleta em opção.

Essas situações descritas acima são mais comuns do que imaginamos, e podem ajuda-los a conversar com os envolvidos, e também cobrar que escolas e clubes supervisionem os treinos.

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